alomórfica
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
foi mal
hoje fui dormir às 7h e, com o despertador, acordei 12h, porque meu namorado me convidou para almoçar na casa da tia dele às "1", de acordo com mensagem. saí da cama quentinha e preguiçosa, tomei meu banho (até me depilei!), botei uma roupinha legal, sequei o cabelo cuidadosamente, saí de casa e mandei a tradicional mensagem "tá indo?".
lá pelas tantas, na metade do caminho, já que não tive resposta, decidi ligar pra saber onde eu encontrava a criatura: se na casa dele ou se na casa da tia. e a conversa foi assim:
– oi! eu te encontro aí ou na sua tia?
– já saiu de casa?
– já, você não?
– puts...
– posso ir praí, se for o caso.
– eu não avisei? é jantar.
em seguida, as mensagens "puts foi mal // achei q tinha avisado". não, meu amigo, você não avisou. você, aliás, nunca avisa. e pra uma vacilada dessas, que me tirou da cama, me fez dirigir inutilmente, me fez passar estresse e xingar o caminho de volta inteiro numa chuva desgracenta "foi mal" não resolve! "foi mal" não é "desculpa". sim, que foi mal é óbvio. mas e aí, culpa sua? você quer pedir perdão? então, tira sua tradicional veste de orgulho e fala em alto, honesto e bom som: des-cul-pa.
qual o problema nisso? é vergonhoso pedir desculpas? é sinal de fraqueza? de impotência? fere o ego? eu honestamente não sei. meus pais me ensinaram como quem ensina a pedir "por favor" e a falar "obrigada", junto com as boas maneiras. assim como essas palavras, dizer "me desculpa" não mancha meu orgulho. errei, então me desculpa. desculpa. desculpa.
e quando eu respondi "não, não avisou", nada veio. sinal de que ele, continuou lá, maravilhoso deitado, tentando dormir, afinal também tinha passado a noite em claro. sem o menor peso na consciência, sem a menor culpa. então, pra que pedir desculpas afinal? foi mal.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
eu, alomórfica
hoje decidi que era hora de reatar minha relação de idas e vindas com meus textos. aos 12, fiz meu primeiro blog, que me rendeu um castigo de 2 meses porque minha mãe leu e acabou descobrindo que eu tinha dado uma voltinha noturna não autorizada. aos 14, mais um blog, dessa vez pra expressar a pseudo-rebeldia de uma adolescente pseudo-incompreendida, com pseudo-amores não correspondidos e crises pseudo-catastróficas. aos 16, registrei aquela fase de transição ensino médio/universidade, com todas as minhas dúvidas e angústias próprias desse momento (y otras cositas más). é claro que, quando eu comecei com esses blogs, não tinha a percepção do papel de cada um deles na compreensão de paulas pretéritas e na construção das paulas futuras. eu só queria/precisava escrever e ponto.
tweets se passaram e aos 22, no meu último blog (até então), escrevi sobre brasílias possíveis, parte do meu projeto de diplomação em design. ao longo do desenvolvimento desse trabalho, acabei percebendo que me sentia confortável em me expressar com a linguagem escrita. daí veio a clareza do porque eu achar que ter um blog, na época, era terapêutico.
então, blogs-da-minha-vida, voltei! não espero nada disso: não quero dígitos infinitos no número de visualizações, não pretendo ser blogueira (acho que virou uma profissão de uns tempos pra cá, né?), não pretendo me tornar colunista de portal de notícias, não quero que seja uma obrigação. eu só quero/preciso escrever e ponto. só quero meu cantinho pra me questionar, pra reclamar, pra me curar.
---
alomorfia. achei essa palavra no dicionário analógico da língua portuguesa que ganhei de aniversário este ano. eu estava procurando por mudança. além de ser algum fenômeno x da línguística, alomorfia significa transformação de uma forma em outra.
meu aplicativo de meditação bem que tenta colocar na minha cabeça que "everything is changing all the time". mas é difícil acreditar nisso quando tou na situação que tou há algum tempo: 24 anos e ainda na casa dos pais, desempregada (e consequentemente quebrada), recém-reprovada no mestrado, sem conseguir estudar, insegura em relação ao meu futuro profissional, com a auto-estima abaixo do nível do mar. ou seja: na mais absoluta e amarga pior.
até que, nessa de estar na pior, me peguei pensando em como eu estava na passagem do ano de 2013 para 2014: maravilhosa na queima de fogos no coliseu, pagando minhas contas, supostamente realizada profissionalmente, bebendo champagne e pensando na minha sorte em estar ali naquela hora com aquelas pessoas, agradecendo ao universo por tudo aquilo. e aí me vem na cabeça a voz do aplicativo repetindo "everything is changing all the time", dessa vez não com um tom motivacional, mas parecendo zombar da minha atual condição. e aí eu decidi: não! não aceito isso. não aceito estar na pior.
decidi mudar, quase como marjane em "persepolis". acordei, cortei o cabelo, fui resolver meus pepinos pessoais e parei de estar conformada com estar na pior.
este blog é um relato de mais uma fase da minha vida. eu, alomórfica, que, já que "everything is changing all the time", decidi embarcar nessa e ver onde me leva. e aceito qualquer lugar, menos na pior.
a reviravolta de marjane em "persepolis"
duas amigas postaram esse vídeo recentemente. coincidentemente (?), uma delas foi quem me deu o dicionário e a outra é a que estava comigo no réveillon de 2014. o mundo, além de mudar, também dá voltas.
tweets se passaram e aos 22, no meu último blog (até então), escrevi sobre brasílias possíveis, parte do meu projeto de diplomação em design. ao longo do desenvolvimento desse trabalho, acabei percebendo que me sentia confortável em me expressar com a linguagem escrita. daí veio a clareza do porque eu achar que ter um blog, na época, era terapêutico.
então, blogs-da-minha-vida, voltei! não espero nada disso: não quero dígitos infinitos no número de visualizações, não pretendo ser blogueira (acho que virou uma profissão de uns tempos pra cá, né?), não pretendo me tornar colunista de portal de notícias, não quero que seja uma obrigação. eu só quero/preciso escrever e ponto. só quero meu cantinho pra me questionar, pra reclamar, pra me curar.
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alomorfia. achei essa palavra no dicionário analógico da língua portuguesa que ganhei de aniversário este ano. eu estava procurando por mudança. além de ser algum fenômeno x da línguística, alomorfia significa transformação de uma forma em outra.
meu aplicativo de meditação bem que tenta colocar na minha cabeça que "everything is changing all the time". mas é difícil acreditar nisso quando tou na situação que tou há algum tempo: 24 anos e ainda na casa dos pais, desempregada (e consequentemente quebrada), recém-reprovada no mestrado, sem conseguir estudar, insegura em relação ao meu futuro profissional, com a auto-estima abaixo do nível do mar. ou seja: na mais absoluta e amarga pior.
até que, nessa de estar na pior, me peguei pensando em como eu estava na passagem do ano de 2013 para 2014: maravilhosa na queima de fogos no coliseu, pagando minhas contas, supostamente realizada profissionalmente, bebendo champagne e pensando na minha sorte em estar ali naquela hora com aquelas pessoas, agradecendo ao universo por tudo aquilo. e aí me vem na cabeça a voz do aplicativo repetindo "everything is changing all the time", dessa vez não com um tom motivacional, mas parecendo zombar da minha atual condição. e aí eu decidi: não! não aceito isso. não aceito estar na pior.
decidi mudar, quase como marjane em "persepolis". acordei, cortei o cabelo, fui resolver meus pepinos pessoais e parei de estar conformada com estar na pior.
este blog é um relato de mais uma fase da minha vida. eu, alomórfica, que, já que "everything is changing all the time", decidi embarcar nessa e ver onde me leva. e aceito qualquer lugar, menos na pior.
duas amigas postaram esse vídeo recentemente. coincidentemente (?), uma delas foi quem me deu o dicionário e a outra é a que estava comigo no réveillon de 2014. o mundo, além de mudar, também dá voltas.
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