tweets se passaram e aos 22, no meu último blog (até então), escrevi sobre brasílias possíveis, parte do meu projeto de diplomação em design. ao longo do desenvolvimento desse trabalho, acabei percebendo que me sentia confortável em me expressar com a linguagem escrita. daí veio a clareza do porque eu achar que ter um blog, na época, era terapêutico.
então, blogs-da-minha-vida, voltei! não espero nada disso: não quero dígitos infinitos no número de visualizações, não pretendo ser blogueira (acho que virou uma profissão de uns tempos pra cá, né?), não pretendo me tornar colunista de portal de notícias, não quero que seja uma obrigação. eu só quero/preciso escrever e ponto. só quero meu cantinho pra me questionar, pra reclamar, pra me curar.
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alomorfia. achei essa palavra no dicionário analógico da língua portuguesa que ganhei de aniversário este ano. eu estava procurando por mudança. além de ser algum fenômeno x da línguística, alomorfia significa transformação de uma forma em outra.
meu aplicativo de meditação bem que tenta colocar na minha cabeça que "everything is changing all the time". mas é difícil acreditar nisso quando tou na situação que tou há algum tempo: 24 anos e ainda na casa dos pais, desempregada (e consequentemente quebrada), recém-reprovada no mestrado, sem conseguir estudar, insegura em relação ao meu futuro profissional, com a auto-estima abaixo do nível do mar. ou seja: na mais absoluta e amarga pior.
até que, nessa de estar na pior, me peguei pensando em como eu estava na passagem do ano de 2013 para 2014: maravilhosa na queima de fogos no coliseu, pagando minhas contas, supostamente realizada profissionalmente, bebendo champagne e pensando na minha sorte em estar ali naquela hora com aquelas pessoas, agradecendo ao universo por tudo aquilo. e aí me vem na cabeça a voz do aplicativo repetindo "everything is changing all the time", dessa vez não com um tom motivacional, mas parecendo zombar da minha atual condição. e aí eu decidi: não! não aceito isso. não aceito estar na pior.
decidi mudar, quase como marjane em "persepolis". acordei, cortei o cabelo, fui resolver meus pepinos pessoais e parei de estar conformada com estar na pior.
este blog é um relato de mais uma fase da minha vida. eu, alomórfica, que, já que "everything is changing all the time", decidi embarcar nessa e ver onde me leva. e aceito qualquer lugar, menos na pior.
duas amigas postaram esse vídeo recentemente. coincidentemente (?), uma delas foi quem me deu o dicionário e a outra é a que estava comigo no réveillon de 2014. o mundo, além de mudar, também dá voltas.
Amiga, já falei que o seu problema foi ter sempre tido tanto sucesso, ô presidente da lamparina, cabulosa da onu jr e rainha da cnv.
ResponderExcluirVc pode até se sentir na pior, mas vc não ta na pior. Vc ta na merda da fase de transição por que todo recém-formado passa, que é praticamente começar do zero.
É foda não ter uma meta tão clara e que vc sabe que poderia alcançar, pq vc sabe do seu puta potencial. Mas pras coisas que queremos, o resultado demora. E a sensação é essa, que somos inúteis, um lixo, que não estamos produzindo porra nenhuma. Acredite, tem gente que se move muito menos (tipo eu. Que simplesmente nao to conseguindo. Mas to fazendo o que é possível).
Eu sei, parece que no fim do túnel não tem luz, e que ta tudo escuro em volta. Mas agora é a hora de ter fé e acreditar que essa luz ta la, msm que invisível. E que o pouco que vc ta fazendo vai ter mt resultado no futuro. Lembra que é a tartaruga que vai longe, no fim das contas.
É a hora de vc acreditar incondicionalmente no seu potencial. Olha pra trás e vê tudo que vc conquistou. Não foi à toa, vc vai chegar em algum lugar.
Eu sei que é um vazio angustiante pra caralho, quase insuportável, e uma sensação de inutilidade. Mas é fé. Confia.
Adoro ver vc escrever.
Beijos,
Lorena (não consegui tirar o anônimo)